Autor: Valéria Costa | jornalistavaleriacosta@gmail.com
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O país das crises políticas

Refém

O Centrão articula e pode manobrar para ter o novo governo nas mãos – assim como teve a gestão Bolsonaro – tendo a PEC da transição como trunfo. A intenção é emendar a proposta tornando o pagamento do orçamento secreto impositivo dentro da PEC se o texto original do projeto, entregue pela comissão de transição esta semana ao Congresso Nacional, prosperar. A iniciativa tem apoio do líder do governo Bolsonaro na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).

Briga de forças

Faltam 44 dias para Lula e Alckmin subirem a rampa do Palácio do Planalto e tomarem posse da gestão do Brasil para os próximos 4 anos, mas a crise política que se desenha por conta da aprovação da PEC da transição deve arranhar a harmonia conquistada na primeira semana pós-eleição e forçar o governo eleito colocar bombeiros em ação mais cedo do que se imagina.

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Agenda internacional

Lula está em Portugal, para onde emendou após participar da COP-27, no Egito e onde se encontrou nesta sexta-feira, 18, com o presidente lusitano, Marcelo Rebelo, e também o de Moçambique, Filipe Nyusi. Ao retornar ao Brasil na semana que entra vai ter que atuar para frear a crise política que seu governo – que ainda nem começou – já enfrenta.

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Partido decadente

O ex-senador Arthur Virgílio Neto é mais um tucano que anuncia desfiliação do PSDB após 35 anos de militância política no partido. Ele, que foi um dos fundadores da agremiação, publicou uma carta de despedida na noite desta quinta-feira, 17, em suas redes sociais. Num texto profundo, ele agradece o aceite do presidente nacional da sigla, Bruno Araújo, deseja sucesso ao novo comando regional do PSDB Amazonas e lamenta a decadência da sigla após ter tanto protagonismo na recente história da política nacional. “Irrelevante e medíocre”.

Décadence

Outrora político de grande prestígio nacional, ex-ocupante de cargos de relevância, Arthur Virgílio Neto começou o processo de decadência em 2010, quando perdeu a vaga no Senado para a adversária Vanessa Grazziotin, naquelas eleições. Ainda consegui dois mandatos como prefeito de Manaus, mas encerrou a última gestão, em 2020, com a imagem bastante arranhada e uma administração com bastante críticas. Tentou retornar ao cenário político na eleição deste ano, concorrendo ao Senado, mas amargou o terceiro lugar, com 9,50% dos votos válidos.

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Perdas

Em menos de um ano, o PSDB – que já governou o país por dois mandatos consecutivos – que carrega em sua história muitos projetos relevantes implantados no Brasil, como o Plano Real, e que já foi o grande “chefe” da maior potência econômica brasileira, São Paulo, já perdeu três filiados de relevância: Geraldo Alckmin, João Doria e Arthur Virgílio.

E agora, Bruno?

A Coluna procurou o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, para comentar sobre mais essa perda da legenda, mas ele não respondeu às mensagens enviadas ao seu número de celular. O espaço está aberto. O mundo político quer saber como o PSDB vai reverter esse processo de falência institucional e quais lideranças surgirão das cinzas. Uns apostam em Eduardo Leite, governador ‘reeleito’ do Rio Grande do Sul. Será se vão dar espaço a ele?

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Sem pausa

A efervescência política nos bastidores não deve dar nenhuma trégua nos próximos dias, nem mesmo com o início dos jogos da Copa do Mundo, neste domingo, 20. Além de administrar a crise causada por conta da PEC da transição, a comissão do governo eleito está correndo contra o tempo para fazer o diagnóstico, nas áreas afins, sobre como a gestão Lula-Alckmin vai encontrar o governo federal quando assumir, em 1º de janeiro.

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Esperança

E por falar em Copa do Mundo, a Coluna envia boas vibrações para a Seleção Brasileira, que estreia na competição na próxima quinta-feira, 24, na conquista do hexa. Que realmente o time atue como equipe e que o Neymar, apontado como a grande estrela do grupo, brilhe como se espera dele e faça diferente do que já fez em suas duas últimas participações em Copa do Mundo.

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No páreo

A COP-27 se encerra nesta sexta-feira, 18, e a decisão sobre a sede da COP-30, em 2025, em que o Brasil deve brigar para ser anfitrião ainda não saiu. Mas já foi suficiente para duas capitais do Norte do país se oferecem para sediar o evento: Belém (PA) e Manaus (AM), nessa ordem. Tanto o prefeito da capital do Pará, Edmilson Rodrigues (Psol) quanto o da capital amazonense, David Almeida (Avante), já vieram a público defender as respectivas cidades como capazes para receber este evento de grande envergadura internacional. Os dois devem disputar a reeleição do mandato em 2024.

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