InícioSAÚDEAVC mata 12 pessoas a cada hora no Brasil

AVC mata 12 pessoas a cada hora no Brasil

Segundo o portal de Transparência do Registro Civil, neste ano, mais de 90 mil brasileiros morreram vítima da doença, o que dá uma média de 307 vítimas fatais por dia

No dia 4 de março, a filha da Daniela Pina nasceu. Mas o que deveria ser o dia mais feliz da vida da policial foi o dia dos primeiros sintomas antes dela sofrer um Acidente Vascular Cerebral, um AVC.

“Eu tive dois episódios de uma dor de cabeça que dava vontade de morrer, sabe? Aquele tipo de dor de cabeça que qualquer luz me incomodava, qualquer barulho, minímo que fosse, era tão intenso que dava vontade de morrer”, a policial contou os primeiros sintomas.

Mas ela não foi atendida imediatamente. Daniela foi para casa cuidar da filha, mas sentia dores e um cansaço tão absurdo que teve que voltar para o hospital. E ela conta que, após uma bateria de exames, descobriram o AVC.

“O médico da clínica me chamou e fez uns testes, aí ele ficou muito assustado e chamou outro médico, esse médico refez os testes e pediu para eu fazer uma ressonância. No que eu fui fazer a ressonância, apareceu um AVC e eu fiquei sem saber o que fazer. Na minha cabeça eu ia morrer. [Eu] nunca tinha ouvido falar em AVC, eu sabia sim que existia isso [AVC], mas eu não sabia o que era”, relatou Daniela.

Após muitas batalhas, Daniela se tornou uma sobrevivente da doença que mais mata no Brasil e também a que mais causa incapacidade no mundo. Neste sábado, 29, é o Dia Mundial do AVC e, segundo o portal de Transparência do Registro Civil, neste ano, mais de 90 mil brasileiros morreram devido a um AVC. Isso dá uma média de 307 vítimas fatais por dia e 12 mortes, por hora.

A doença

A doença tem dois tipos: o AVC isquêmico, que é quando os vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação; e o AVC hemorrágico, ainda mais sério, já que acontece quando o paciente tem um sangramento interno no cérebro.

Os principais sintomas são: fraqueza ou formigamento na face, braço ou na perna; dor de cabeça muito intensa, sem motivo aparente, alteração do equilíbrio ou tontura, alteração da fala, da compreensão ou de visão.

As sequelas vem da área no cérebro que foi atingida e resulta em problemas na fala, na memória, na coordenação, dentre outros. Segundo dados da ONG Rede Brasil AVC, 70% das pessoas que sofrem um derrame não retornam ao trabalho depois do acidente e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia, devido às sequelas da doença.

O neurocirurgião Victor Hugo Espíndola explica que as mortes por AVC geralmente acontecem por falta de informação para identificar a doença. Ele enfatiza que, quanto mais cedo ela for identificada, maior a eficácia do tratamento.

“Então eu acho que é muito por falta de informação porque todas essas doenças têm tratamento. Tanto o AVC quanto o infarto. Já é um um um tratamento consagrado um AVC isquêmico que é a principal causa delas, tem tratamento. A gente pode fazer tanto medicação na veia para tentar dissolver esse trombo, quanto o cateterismo para abrir a artéria obstruída. O grande problema é que esse tratamento ele é indicado ao tempo. Essa medicação venosa ela só pode ser feita em até 4h30min de sintomas, depois desse período o paciente não é mais candidato a esse tratamento, e o cateterismo pra abrir as artérias o ideal é que ele seja feito em até 6h a 8 horas de sintomas, em alguns pacientes a gente pode fazer em até 24h. Então se o paciente chega tarde, já com sintomas bem evoluídos, a gente não pode mais fazer tratamento na grande maioria desses casos. E mesmo que a gente faça o tratamento, a efetividade dele é intimamente relacionada ao tempo, quanto mais precoce a gente tratar os pacientes melhor vai ser a evolução e recuperação dos pacientes”, afirmou o neurocirurgião.

Ela ainda ressalta que a principal forma de se prevenir contra a doença é buscar ter um estilo de vida saudável. “A questão da prevenção ela é extremamente importante porque a gente fala que 80% dos AVCs podem ser evitados com cuidados básicos de de saúde: controle da pressão, controle do do diabetes, combate ao sedentarismo, controle de colesterol, então hábitos de vida saudáveis. O paciente levando esses hábitos de vida, tendo uma boa alimentação, fazendo atividade física, controlando diabetes, controlando pressão, controlando colesterol, praticamente 80% dos casos de AVCs conseguem ser evitados”, enfatizou o médico.

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