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Copom interrompe alta de juros por cautela e necessidade de avaliação, diz ata

Na semana passada, após 12 altas seguidas, o Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano.

Por cautela, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), decidiu, em sua última reunião, ocorrida nos dias 20 e 21 de setembro, pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic em 13,75% ao ano. De acordo com a ata da reunião, divulgada nesta manhã, a maioria dos integrantes do comitê considerou necessário interromper o ciclo de elevações, que já somavam 12 seguidas, para avaliar o comportamento da inflação nos próximos meses, considerando que os efeitos da política monetária ainda não foram absorvidos pela economia.

“Em favor da manutenção, estariam a cautela e a necessidade de avaliação, ao longo do tempo, dos impactos acumulados a serem observados do intenso e tempestivo ciclo de política monetária já empreendido. Assim, a maioria do Comitê avaliou que, diante dos dados divulgados, projeções, expectativas de inflação, balanço de riscos e defasagens dos efeitos da política monetária já em território significativamente contracionista, era apropriado manter a taxa de juros no patamar de 13,75% ao ano”, diz um trecho da ata.

Dos nove integrantes do Copom, sete votaram pela interrupção do ciclo, incluindo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Dois membros votaram por uma elevação residual de 0,25 ponto percentual.

Ao avaliar ciclo de ajuste iniciado em março de 2021, quando a Selic estava em 2.75% ao ano, o comitê considerou, segundo a ata, que “devido às defasagens longas e variáveis da política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado, bem como seu impacto sobre a inflação corrente”. Por isso, o colegiado considerou prudente aguardar até que esses impactos fiquem mais claros nos indicadores da atividade econômica ao longo do segundo semestre.

A ata pondera que, mesmo com os esforços do Banco Central para manter a inflação sob controle, o comitê vê riscos de elevação de preços tanto no cenário internacional quanto no local. No âmbito internacional, existe a perspectiva de persistência das pressões inflacionárias, especialmente nos Estados Unidos e alguns países da Europa.

Internamente, a ata cita “incerteza sobre o futuro do arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais adicionais que impliquem sustentação da demanda agregada, parcialmente incorporados nas expectativas de inflação e nos preços de ativos”. Tais estímulos podem aquecer a economia e, assim, elevar os preços. O mercado de trabalho, outro indicador avaliado pelo Copom na hora de decidir sua estratégia de controle da inflação, também se mantém aquecido.

Por outro lado, há também possibilidade outros fatores frearem os preços, sem a necessidade da política monetária. Primeiro, a ata cita a queda nos preços das commodities internacionais em reais. O Copom vê também a possibilidade de desaceleração ainda mais intensa da atividade econômica global. E a manutenção dos cortes de impostos anteriormente projetados para serem revertidos em 2023. “O Comitê avalia que a conjuntura, ainda particularmente incerta e volátil, requer serenidade na avaliação dos riscos”.

Por isso, o comitê voltou a enfatizar “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

A projeção do Copom para inflação este ano, segundo a ata, é de 5,8%. Para 2023, o documento aponta para 4,6% e 2024, a previsão é de 2,8%.

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