Autor: José Marcelo | jornalistamarcelo@gmail.com
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Na reta final, pesquisa estraga clima e causa desentendimentos no comitê de campanha de Bolsonaro

Ranger de dentes

Os dados da pesquisa Datafolha divulgados na noite desta quinta-feira, que mostram que o ex-presidente Lula cresceu 2% nas intenções de votos, enquanto Jair Bolsonaro ficou estagnado, mexeu com a base, com os nervos e com os ânimos da campanha à reeleição do presidente. O clima ficou pesado, segundo um membro do grupo de profissionais que atuam no comitê centra e que só falou com o autor da Ponto e Vírgula sob o compromisso de não ter a identidade revelada. O ambiente, segundo o profissional, foi tomado por um ranger de dentes e um clima de velório, mas também de desconfiança e insegurança.

Comportamento que preocupa

A principal insegurança de parte da equipe, segundo o profissional, é em relação ao comportamento do presidente Bolsonaro. “Não dá para saber como ele vai agir e isso deixa a gente sem saber ao certo o que planejar”, disse. Como se não bastasse, segundo a fonte, há um desalinho entre os dois filhos do presidente que atuam mais diretamente na campanha. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro defende uma linha mais serena e focada no diálogo, o vereador Carlos Bolsonaro, considerado pelo comitê e pelo pai como o mago das redes sociais, defende o confronto direto e mais ataques aos adversários e à Justiça. A intenção é dar munição aos apoiadores de Bolsonaro para reagirem nos grupos de mensagens.

Racha entre irmãos e ministros

Os desentendimentos na candidatura Bolsonaro não se restringem à família ou ao comitê central. No início da semana a coluna antecipou o processo de fritura interna do ministro da Economia, Paulo Guedes, que decidiu não ser mais “a Geni” do governo. Ele vem sendo apontado como foco do desgaste de Bolsonaro junto à opinião pública, por causa dos números da economia e a demora em ter aceitado pagar o auxílio emergencial de R$ 600. Muito dessa fritura é resultado do confronto de Guedes com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, principal articulador do governo com o centrão. Mas nesta reta final, Nogueira também passou a sofrer desgastes e acusações de que estava pensando em abandonar o barco. A principal fonte palaciana da coluna informou que para se “retratar”, Nogueira até cancelou a semana de férias que tiraria a partir deste sábado.

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O novo problema de Ciro

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) tem uma preocupação a mais nesta reta final de campanha. Um interlocutor do candidato confidenciou à coluna que Ciro está incomodado com o sucesso que uma publicação dele passou a fazer, depois que começou a ser compartilhada, curtida e comentada por apoiadores de Bolsonaro. No post, Ciro faz acusações ao ex-presidente Lula e a campanha de Bolsonaro resolveu dar mais visibilidade a ele. Com isso, segundo a fonte, Ciro começa a ficar ”verdadeiramente incomodado” com o movimento que vem sendo feito para vincular a imagem dele à de Bolsonaro. Não é isso que Ciro quer.

O que ele quer

Conforme antecipado na quarta-feira neste espaço, Ciro Gomes quer se consolidar como nome forte da oposição a quem quer que seja eleito presidente, para depois descansar a imagem e estudar um retorno mais fortalecido daqui a quatro anos. Em 2026 ele deve retornar às urnas para disputar o cargo de senador ou de governador do estado do Ceará.

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Nova tentativa de acordo

Está marcada para segunda-feira, 26, uma nova rodada de audiência da comissão criada pelo Supremo Tribunal Federal para buscar a conciliação entre estados e o governo federal sobre a compensação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos essenciais, como combustíveis, energia elétrica, comunicações e transportes coletivos. No dia 16, as partes aceitaram a possibilidade de enviar ao Congresso Nacional uma proposta de alteração legislativa para que os estados possam escolher entre as modalidades fixa ou variável de alíquota do imposto.

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Eleitores brasileiros no exterior

A eleição presidencial deste ano terá um recorde de brasileiros que votarão no exterior. São 697 mil pessoas nesta condição, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em relação à eleição de 2018 o aumento foi de 39,21%. O Brasil terá sessões eleitorais em 181 cidades estrangeiras. Lisboa é a cidade com maior quantidade de brasileiros habilitados a votar, com 45,2 mil eleitores. Em seguida aparecem Miami e Boston, ambas nos Estados Unidos, com 40,1 mil e 37,1 mil eleitores, respectivamente. Também há número considerável em Nagoia, no Japão, com 35,6 mil brasileiros, e em Londres, na Inglaterra, com 34,4 mil.

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