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Com maioria do eleitorado feminino, eleições deste ano têm apenas 33% de candidatas mulheres

Número representa menos de dez mil postulantes a cargos eletivos diante de 19,3 mil candidaturas masculinas

A oito dias da eleição, o Brasil vai presenciar mais um clichê da política brasileira: o sexismo nas eleições e a supremacia de candidaturas masculinas. Embora o Brasil tenha 53% de eleitores do sexo feminino de todas as faixas etárias, instruções e classes sociais, as mulheres vão às urnas em 2 de outubro e, provavelmente vão eleger, em sua maioria, representantes do sexo masculino. Os números estão aí para provar.

Das mais de 29 mil candidaturas credenciadas pela Justiça Eleitoral para disputar as eleições deste ano, menos de dez mil são de mulheres, o equivalente a 33,8% dos concorrentes. Na outra ponta, os candidatos homens representam 19,3 mil ou 66,12% dos postulantes aos cargos eletivos. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nesse universo de candidatos, o país tem apenas quatro candidaturas femininas entre os 11 que disputam a presidência da República; 4 candidatas a vice-presidente; 58 candidatas a senadora; 158 a suplente de senador; 38 para governo e 94 disputando a vice-governadoria.

A região Sudeste do país é onde aparece o maior número de candidatas mulheres nos quatro Estados: 3.212. Depois vem o Nordeste, com 2.602; seguida do Norte, com 1.591; Sul, com 1.338 e, na lanterninha, a região Centro-Oeste, com 1.138 candidaturas femininas.

‘Cultura machista’

Na análise do cientista social e professor de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB), Rócio Barreto, o baixo número de candidaturas femininas é o reflexo direto da baixa participação da mulher na política brasileira e da cultura machista do país. “Além disso, há anos a cultura está baseada nesse coronelismo e somente começaram a votar bem depois dos homens”, ressaltou.

Rócio chamou a atenção que esse cenário vai continuar dessa maneira se nada for feito para mudar. Ele toma como exemplo o fato de a maioria das mulheres não votarem em mulheres simplesmente por não acreditarem na capacidade delas.

“Isso é muito ruim, mas isso não só no Brasil como no mundo a tendência é se manter, ao menos que as mulheres façam alguma coisa para mudar esse cenário”, disse o especialista.

Ele acrescenta que as cotas de gênero estabelecidas e os recursos financeiros para financiar campanhas femininas não têm encontrado êxito dentro dos partidos porque os homens não permitem a inserção das mulheres no processo eleitoral. “A gente vê que há a necessidade de reserva de fundo eleitoral específico para as mulheres, mas muitas vezes esse fundo não é respeitado e é usado em candidaturas laranjas, por exemplo, disse.

Na sua opinião, essa desvantagem eleitoral só vai mudar quando houver dois quocientes eleitorais. Segundo ele, seria interessante 50% para cada gênero, independente do número e do quociente eleitoral de cada um.

O Brasil teve apenas uma presidente mulher, Dilma Rousseff (PT), cassada em seu segundo mandato e, nos Estados, atualmente, o país tem apenas três governadoras e todas na região Nordeste: Fátima Bezerra, do PT, que governa o Rio Grande do Norte e é candidata à reeleição; Izolda Cela (PDT), do Ceará; e Maria Regina Souza (PT), que dirige o Piauí. Estas duas últimas era vice-governadoras que assumiram o governo em definitivo em abril deste ano após a renúncia dos respectivos governadores que estão disputando vaga no Senado.

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