InícioEconomiaIndústria teme que Selic chegue a 14% até o fim do ano

Indústria teme que Selic chegue a 14% até o fim do ano

Mesmo comemorando a decisão do Copom manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, CNI diz que o patamar elevado pode inibir ainda mais a atividade econômica no próximo ano.

A manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano – decisão anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) –  não chegou a animar os setores da chamada economia real. Em comunicado, a Confederação Nacional da Indústria celebrou a decisão “acertada” da autoridade monetária, mas criticou a possiblidade de elevação dos juros até o fim do ano.

Segundo a entidade, no patamar em que está, a taxa básica de juros pode “desacelerar o crescimento da atividade econômica no segundo semestre de 2022 e limitar significativamente o seu crescimento em 2023, quando as previsões para o PIB indicam alta de apenas 0,5%”.

A taxa básica de juros nos países capitalistas serve como um instrumento para controlar a inflação. Quem faz esse balizamento é o Banco Central, responsável pela política de controle da inflação no Brasil. Funciona assim: quando os preços sobem demais, a inflação sobe, então o Banco Central eleva a taxa de juros. Isso serve de estímulo para que os investimentos se voltem para as aplicações financeiras, retirando dinheiro de circulação. Com consumo menor, baixa demanda, a inflação acaba cedendo.

O efeito colateral é que a economia desacelera, a produção diminui e o desemprego aumenta. Setores como indústria e comércio são fortemente afetados.

Na opinião do presidente da CNI, Robson Andrade, “essa taxa [13,75%] está muito acima do nível de taxa de juros a partir do qual se inibe a atividade econômica, que foi alcançado ainda em dezembro de 2021”, quando a Selic foi colocada em 9,25% ao ano.

Desde março de 2021, quando a alta de alimentos começou a ameaçar o controle da inflação, o BC vinha elevando a taxa de juros, que saiu de 2,75% naquele mês, para os atuais 13,75%.

Na avaliação da CNI, o aumento da taxa leva um tempo para começar a restringir a atividade econômica e, assim, conter a inflação. “A queda das expectativas de inflação para 2022 e 2023 indicam que a política monetária restritiva tem tido resultado”, acrescenta o comunicado da CNI. Além das ações do Banco Central, a entidade cita a deflação registrada em dois meses seguidos, motivadas por outras medidas como as desonerações tributárias de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações.

O tom da nota divulgada pela Confederação denota o receio de que o Copom venha, em sua próxima reunião, a elevar a taxa Selic a 14%. Ontem, comunicado divulgado, ao final da reunião, o Copom foi enfático ao dizer que “o Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

Robson Andrade considera que a taxa básica de juros, no patamar de 14% ao ano, pode desacelerar o crescimento da atividade econômica no segundo semestre de 2022 e limitar significativamente o crescimento em 2023.

As previsões do próprio Banco Central são de que em 2023 o Produto Interno Bruto cresça apenas 0,5%.

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