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Campanha de Lula endurece ofensiva pelo voto útil e eleição em 1º turno; estratégia ajuda ou atrapalha?

Aliados, adversários, artistas e autoridades internacionais têm endossado o coro e aumentado a pressão em favor da candidatura petista

Faltando dez dias para a eleição mais acirrada da história da República, a campanha do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) parte para ofensiva e endurece a estratégia de elegê-lo no primeiro turno. O movimento calculado é o do “voto útil”, que está ganhando corpo e a adesão de autoridades políticas, jurídicas e até mesmo internacionais sob o discurso do combate ao fascismo e o desespero do adversário, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputa a reeleição. Se isso se concretizar será a primeira vez, desde que o instituto da reeleição foi criado há 25 anos, que um candidato presidencial poderá encerrar o pleito em primeiro turno.

O alvo do voto útil é o potencial eleitor dos candidatos Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), terceiro e quarto lugar nas pesquisas eleitorais, respectivamente e que, podem pulverizar o voto e levar a disputa ao segundo turno. Pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 21, mostra que 26% dos eleitores entrevistados aceitam mudar de voto para eleger Lula no primeiro turno enquanto a maioria, 64%, rejeitam a ideia.

Mas será que a estratégia ajuda ou atrapalha a candidatura do petista?

Para o cientista político Nauê Bernardo, a campanha do voto útil faz parte do jogo político e já foi usada em eleições anteriores. Ele cita como exemplo, o próprio Ciro Gomes – que hoje é alvo dessa pressão – que adotou a estratégia em 2018, na semana que antecedia a eleição, quando divergia nas urnas com Bolsonaro e Fernando Haddad (PT).

Segundo o analista, o movimento de captura dos indecisos, por um critério de utilidade, é uma estratégia que não irá sumir ou deixar de ser usada com facilidade. Mas, neste movimento em específico encabeçado pela campanha petista o alvo é direcionado.

Neste caso, acrescenta Nauê, é resultado do dano colateral de campanhas que não decolaram. Mesmo estando entre os quatro melhores colocados nas pesquisas, Ciro e Tebet estacionaram entre 7% e 5%, respectivamente, embora a candidata tenha apresentado um salto de crescimento no último mês de campanha.

“A reclamação é legítima, pois campanha por voto útil quase sempre é um ataque especulativo. Mas, o arranjo político não está acomodando esse dois candidatos, de acordo com as pesquisas”, analisa o cientista.

Nauê alerta sobre a eventual consequência política dessa estratégia agressiva e especulativa. “Não apenas frente ao eleitorado, mas também frente aos que por ventura sejam prejudicados pela estratégia.”

Reação

Após a manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, decano do PSDB, em post nas redes sociais nesta quinta, 22, em que defende o voto pró-democracia sem citar diretamente nem Lula e nem Bolsonaro, a direção nacional do PSDB emitiu uma nota reforçando que a legenda tem candidata e que não vai desistir dela: Simone Tebet.

O partido de FHC fechou federação com o Cidadania e aliança com o MDB em torno da candidatura a presidente da senadora Simone Tebet tendo como vice a também senadora tucana, Mara Gabrilli (SP).

A própria Tebet criticou a ofensiva da campanha de Lula e afirmou que “voto útil é o nosso é o voto do futuro”. A declaração foi dada durante visita à sede da Fiocruz no Rio de Janeiro, hoje cumprindo agenda de campanha.

“Voto útil é o voto do futuro, não é nem tentar votar às velhas fórmulas do passado, que não deram certo, que ficaram quatro mandatos e não fizeram o dever de casa – que é uma verdadeira revolução através de educação de qualidade aos nossos filhos -, e muito menos manter um governo insensível, que não planeja, não conhece as realidades do Brasil e só vive criando crises artificiais para esconder a sua incompetência e a sua incapacidade”, disse Simone, referindo-se ao PT e a Bolsonaro.

Ciro Gomes já tinha criticado a tática do voto útil na semana passada e ontem voltou a classificar a iniciativa de “fascismo de esquerda”.

A eleição em primeiro turno acontece em dez dias e a campanha eleitoral nas ruas e no horário gratuito se encerra na próxima quinta-feira, 29.

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