Autor: José Marcelo | jornalistamarcelo@gmail.com
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Pressionado, Bolsonaro recua e tenta contornar crise com banqueiros

Porco-espinho no colo

É como quem coloca o um porco-espinho no colo- sem poder abraçar, mas sem deixar fugir-, que o presidente Jair Bolsonaro vai para um almoço na Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) na próxima segunda-feira, 8. O encontro foi costurado pela equipe de marketing da campanha, que busca um meio de dialogar com a elite econômica de São Paulo, segundo antecipado ao longo da semana aqui na Ponto e Vírgula. É que entre os incidentes de percurso provocados pelas declarações de Bolsonaro estão o fato de ele ter dito que o “Manifesto em Defesa da Democracia” havia sido articulado também por banqueiros que perderam dinheiro com o Pix e ter classificado como “cara de pau” e “sem caráter” as pessoas que assinaram o documento. A Febraban assinou. A Fiesp também.

Encontro e sorrisos amarelos

Um assessor de Bolsonaro antecipou à coluna nesta sexta-feira que depois do almoço com a Febraban, o próximo desafio é agendar encontros do presidente com o alto escalão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Bolsonaro participaria do evento da Fiesp, para o qual os presidenciáveis vêm sendo chamados, mas desmarcou. Seria na quinta-feira, 11, mesma data em que ocorrerão manifestações em São Paulo em defesa da democracia. A avaliação, segundo o assessor, é de que ter cancelado a ida tirou Bolsonaro de uma situação constrangedora, mas o colocou em posição de fragilidade diante dos empresários e que o esforço agora é para tentar contornar a crise. O mesmo assessor disse que o presidente tem consciência de que nos dois casos, os encontros acontecerão sob clima de desconfiança e sorrisos amarelos, mas admite que o momento exige, porque o presidente está fragilizado.

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Não foi como Ciro queria

Não foi com a pompa e circunstância que Ciro Gomes esperava, mas o PDT anunciou oficialmente o nome da vice-prefeita de Salvador (BA), Ana Paula Matos, como candidata a vice-presidente na chapa do ex-governador do Ceará. E o clima não foi dos melhores, porque segundo um pedetista admitiu à coluna, o próprio partido “esmoreceu” nas últimas semanas, em função da impossibilidade de fechar aliança com outras legendas. A chapa “puro-sangue” Ciro/Ana Paula estará sozinha nas ruas e também no rádio e televisão. É a quarta vez que Ciro disputa a Presidência. No PDT o medo é de que Ciro saia da campanha menor do que entrou, por não ter conseguido atrair apoios.

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União Brasil desanimou no DF

Por falar em desânimo partidário, o União Brasil literalmente desanimou em relação ao senador José Antônio Refuffe e desistiu de lançar a candidatura dele ao governo do Distrito Federal. Internamente a avaliação é de que o senador não se empolgou e não empolgou os correligionários e que por causa das relações internas vai ficar fora da disputa. Reguffe era apontado nas pesquisas como o único nome capaz de fazer frente ao governador Ibaneis Rocha (MDB), em campanha pela reeleição.

Podemos também perde brilho

Além do PDT, o Podemos é outro partido que chegou à reta final dos registros de candidaturas com as expectativas frustradas. Ao convidar o ex-juiz Sérgio Moro para disputar a Presidência da República, a legenda imaginava que no mínimo chegaria ao segundo turno das eleições, mas os percalços foram tamanhos que na última semana o partido atuou como pênduilo e em cima da hora decidiu não tentar indicar o vice de Soraya Thronicke (União Brasil) e apoiar a candidatura de Simone Tebet (MDB), sem reivindicar nenhuma indicação. Considerado plano B para a disputa ao Planalto, o senador Álvaro Dias bateu o pé e vai tentar se reeleger ao enfrentar Moro no Paraná.

PSDB sentiu golpe

O PSDB é outro partido que sentiu o golpe do esmorecimento e das disputas internas e chega à campanha bem menor do que estava no início do ano. A legenda que havia pré-aprovado o nome do ex-governador de São Paulo, João Doria, para disputar a Presidência só conseguiu indicar a vice de Simone Tebet nos momentos finais do prazo. Ainda assim, uma ala considerável do partido vai apoiar a chapa que tem como vice um de seus fundadores, Geraldo Alckmin, mesmo destino de parte do MDB.

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Michelle mostra força

A primeira-dama Michelle Bolsonaro tem surpreendido até os mais próximos ao demonstrar força política não apenas na campanha do marido, mas também fora dos círculos do PL. É graças à intervenção dela que a ex-ministra Damares Alves (Republicanos) vai disputar uma vaga ao Senado, em candidatura solo. É que Bolsonaro, ao menos oficialmente, apoia a chapa de Ibaneis Rocha que tem a também ex-ministra Flávia Arruda (PL) como candidata a senadora.  As duas disputam o mesmo eleitorado.

Quem sai com quem

No frigir dos ovos das candidaturas, o ex-presidente Lula conseguiu montar uma frente com nove partidos que ainda pode ter o Pros, que enfrenta grave crise interna e sai esfacelado da disputa. O ex-presidente terá, ao lado do PT, o PSB do vice Geraldo Alcmin, além do Solidariedade, Rede, Psol, PCdoB, Avante, PV e Agir. Com um total de 120 deputados e 12 senadores, esses partidos garantem a Lula a maior vitrine na mídia, em relação aos concorrentes. Segundo colocado nas pesquisas, Jair Bolsonaro terá, além do PL, o Republicanos e o Progressistas. Isoladamente quem tem maior tempo de TV e rádio é o União Brasil, que por ter candidatura própria não beneficiará nem Lula nem Bolsonaro.

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