InícioBrasilMinistério da Saúde aprova protocolo para diagnóstico de TDAH

Ministério da Saúde aprova protocolo para diagnóstico de TDAH

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o transtorno acomete 3% da população mundial

Foi publicado, no Diário Oficial da União (DOU) da última quarta-feira, 3, um documento que traz critérios de diagnóstico, tratamento, controle e avaliação do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O protocolo, do Ministério da Saúde, tem caráter nacional.

O ministério define o transtorno como uma condição do neurodesenvolvimento, caracterizada por uma tríade de sintomas envolvendo desatenção, hiperatividade e impulsividade em um nível exacerbado e disfuncional para a idade. Os sintomas começam na infância, mas podem persistir ao longo de toda a vida.

“As dificuldades, muitas vezes, só se tornam evidentes a partir do momento em que as responsabilidades e a independência se tornam maiores, como quando a criança começa a ser avaliada no contexto escolar ou quando precisa se organizar para alguma atividade ou tarefa sem a supervisão dos pais”, informa a pasta.

Embora o TDAH seja diagnosticado sobretudo durante a infância, casos de diagnósticos tardios, na adolescência ou fase adulta, têm se tornado cada vez mais comum. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o transtorno atinge cerca de 3% da população mundial. É o caso do designer e estudante Gabriel França, de 25 anos, morador de Brasília.

Ele recebeu o primeiro diagnóstico aos 5 anos de idade, depois que os professores relataram aos seus pais que ele não conseguia prestar atenção na aula e que apresentava dificuldade acima do normal para absorver os conteúdos. 

“A justificativa do médico para esse diagnóstico, além da dificuldade de aprendizado e o atraso que isso causou, tinha também a dificuldade de organização, a dificuldade de lembrar de coisas básicas. Por exemplo, não sei contar quantas vezes eu já levei pra casa uma mochila que era parecida com a minha, mas que não era a minha, por falta de atenção, sendo que era uma diferença bem óbvia”, explica o jovem.

Mesmo com tratamento de psiquiatras e psicólogos, até hoje Gabriel ainda sofre com o transtorno. Ele conta que costuma comparar constantemente suas habilidades e capacidades com as de outras pessoas, e que em inúmeras vezes ao longo da vida, foi chamado de “burro”, “desatento” e “desorganizado”.

A psicóloga Alessandra Araújo explica que o TDAH é um transtorno de cunho neurobiológico com origem em fatores genéticos, também caracterizado pela inquietude e impulsividade, e que o tratamento para o diagnóstico deve ocorrer de forma multidisciplinar. Já existem protocolos que os profissionais utilizam para o transtorno, mas a especialista diz que a aprovação de diretrizes oficiais pelo Ministério da Saúde faz com que o diagnóstico e o tratamento alcancem mais pacientes. 

“Hoje eu vejo que é muito afunilado, é menor a quantidade de profissionais que aplicam e fazem esse diagnóstico. Então com essa abertura do ministério, eu particularmente acho que conseguimos dar uma parcela bem maior de crianças esse olhar clínico, e tirar delas a possibilidade de muitas vezes sofrerem bullying, de serem chamadas de burras, desatentas, desorganizadas, que muitas vezes a gente recebeu no passado. Mas recebemos isso porque não tínhamos o conhecimento de que é um transtorno neurobiológico”, afirma a especialista.

“Além disso, a gente vai poder se comunicar muito mais, tanto os profissionais de todas áreas, nessa multidisciplina que temos. Essa comunicação vai ficar muito mais coesa, mais forte, e quem vai ser beneficiado é aquele que precisa, que sente dor e angústia diante dessa função neurobiológica e genética”, acrescenta a psicóloga. 

ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Últimas Notícias

Publicidadespot_img
WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE