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Quem é Ayman al-Zawahiri, líder da Al-Qaeda morto pelos EUA

Com seu turbante branco e barba grisalha densa, ele não tinha o mesmo carisma exercido por Bin Laden e nenhum acesso à riqueza familiar deste, mas assumiu o posto de diretor de operações, executivo de relações publicas e profundo influente

Os Estados Unidos mataram o principal líder da Al-Qaeda e um dos principais conspiradores dos ataques de 11 de setembro, Ayman al-Zawahiri. Procurado pelos americanos havia mais de duas décadas, Al Zawahiri assumiu a liderança do grupo terrorista em 2011, após a morte de Osama bin Laden, e era considerado o homem mais procurado dos EUA desde então. Ele tinha 71 anos.

Al Zawahiri era número 2 da Al-Qaeda na época dos ataques de 11 de setembro de 2001. Embora não tivesse a mesma liderança de Bin Laden, é apontado como o principal responsável pela construção ideológica e intelectual da organização. Enquanto o primeiro era visto como o mentor terrorista de diversos ataques, muitos especialistas em contraterrorismo consideraram Al Zawahiri mais responsável.

Os dois viraram as principais armas do movimento jihadista para atacar os EUA, com Al Zawahiri sendo responsável pelas táticas e habilidades organizacionais necessárias para formar militantes em uma rede de células ao redor do mundo.

Com seu turbante branco e barba grisalha densa, ele não tinha o mesmo carisma exercido por Bin Laden e nenhum acesso à riqueza familiar deste, mas assumiu o posto de diretor de operações, executivo de relações publicas e profundo influente que ajudou-o a se transformar de um pregador carismático para um terrorista conhecido globalmente.

Enquanto liderou a Al-Qaeda, a influência global da organização diminuiu com a ascensão do Estado Islâmico, mas o grupo continuou sendo uma ameaça, com filiais em vários países realizando ataques.

Origem

Ayman Muhammad Rabie al-Zawahiri nasceu em 19 de junho de 1951, em Maadi, um subúrbio do Cairo, capital do Egito. O pai era um professor de farmacologia cujo tio havia sido grande imã (sacerdose) de Al Azhar, uma universidade de mil anos e centro de aprendizado islâmico.

Apesar da origem proeminente, a família teve pouca prosperidade e era considerado “caipira” na região. Al Zawahri, um de cinco filhos, era considerado um aluno brilhante e começou a ler literatura islâmica em uma idade precoce. Nesta época, teve contato com uma das grandes influências, Sayyid Qutb, pensador islâmico que via o mundo dividido entre crentes e infiéis – neste último grupo estavam, por exemplo, muçulmanos moderados.

Qutb foi preso, torturado e enforcado no Egito em 1966. Segundo o livro “The Road to Al Qaeda: A história do braço direito de Bin Laden” (2004), escrito por Montasser al-Zayyat, esse fato causou uma influência em Zawahiri, que considerava as palavras de Qutb mais poderosas que a dos seus contemporâneos porque o tinham levado à execução,

Outra influência foi a humilhante derrota que os países árabes sofreram nas mãos de Israel em 1967. Isso afastou muitos jovens do socialismo pan-árabe, perseguido pelo presidente Gamal Abdel Nasser do Egito, e os aproximou de pensamentos antiocidentais do Islã.

Em 1966, Al Zawahiri ajudou a formar uma célula militante clandestina dedicada a substituir o governo secular do Egito por um islâmico. Ele tinha 15 anos.

No início eram cinco membros. Em 1974, havia 40. Ele manteve seu envolvimento em segredo até mesmo de sua família enquanto frequentava a faculdade de medicina na Universidade do Cairo. Ele se formou em 1974, serviu três anos no exército e obteve um mestrado em cirurgia em 1978.

Atuação terrorista

Nos anos 80, Zawahiri viajou para o Afeganistão para participar na resistência dos mujahideens contra a ocupação da União soviética. Foi nessa época que supostamente conheceu Bin Laden, que dirigia uma base para mujahideens chamada Maktab al-Khadamat (MAK). Zawahiri chegou a tratar o terrorista mais conhecido do mundo nas cavernas do Afeganistão.

Desde a adolescência em um subúrbio do Cairo, Al Zawahiri cumpriu penas de prisão no Egito e na Rússia e era caçado por adversários. Após os ataques de 2001, as autoridades americanas entraram na caça e colocaram uma recompensa de US$ 25 milhões para quem o entregasse.

Entretanto, ele parecia estar sempre um passo à frente, escondendo-se nem redutos do Afeganistão e nas áreas tribais do Paquistão, e conseguia fugir.

A princípio, Al Zawahiri nutria um ódio ao governo secular do Egito, onde ele era considerado conspirador do assassinato do presidente Anwar Sadat em 1981. Aos poucos, passou a direcionar a atenção aos Estados Unidos, chamado “inimigo distante” e que se transformou no alvo principal da Al-Qaeda.

Em 1998, o terrorista escreveu um documento destinado a unir grupos militantes na causa comum de matar americanos em qualquer lugar, não apenas no Oriente Médio. Em 2001, sua organização, a Jihad Islâmica Egípcia, fundiu-se oficialmente com a rede Qaeda de Bin Laden para criar a Qaeda al Jihad.

Al Zawahiri teve a delicada tarefa de explicar o desvio da Al Qaeda dos ensinamentos islâmicos que proíbem matar pessoas inocentes, principalmente muçulmanos, e que impedem o suicídio. Ele sustentou que a verdadeira fé de um mártir reverteu essas proibições.

A força tática do grupo estava em sua capacidade de lançar ataques espetaculares, começando com os ataques simultâneos às embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia em 1998 e o atentado suicida do destróier americano Cole no Iêmen em 2000. O espetáculo culminou nos ataques a Nova York e Washington em 2001 que levou às invasões americanas do Afeganistão e do Iraque.

Diversas vezes, acreditou-se que o número 2 da organização teria morrido, mas eventualmente ele voltava a aparecer em vídeos e fitas de áudio que espalhavam a ideologia da organização. Quando Bin Laden morreu em 2011, a Al-Qaeda ficou em silêncio por mais de um mês sobre o futuro. Até que um vídeo de 28 minutos foi divulgado. Nele, Zawahiri aparecia, com um fuzil ao fundo e um movimento de corte, feito com a mão, prometendo que continuaria a “aterrorizar” os EUA após a morte do líder. “Sangue por sangue”, declarou.

Os Estados Unidos continuou a caça contra Zawahiri até este fim de semana, quando o atingiu com dois mísseis em Cabul, no Afeganistão. /NYT, ASSOCIATED PRESS

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