Autor: José Marcelo | jornalistamarcelo@gmail.com
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Decretação de sigilo de 100 anos vira arma contra investigações; veja casos

Pra que tanto sigilo?

A determinação de sigilo de 100 anos sobre casos suspeitos envolvendo políticos e servidores públicos nos últimos três anos no governo vem provocando uma série de reações negativas em todo o país. O caso dos oficiais da Polícia Rodoviária Federal que mataram Genivaldo de Jesus Santos asfixiado com gás, em uma batida da PRF, foi apenas o mais recente. Antes dele, a Coluna levantou ao menos mais cinco, a começar pela agenda oficial do Palácio do Planalto, que poderia apontar a quantidade de visita que os pastores suspeitos de comandar o suposto gabinete paralelo do MEC fizeram ao presidente Jair Bolsonaro, desde o início do governo.

Pazuello e os filhos do presidente

Há um ano o Exército fez o mesmo a respeito do processo administrativo contra o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mesmo a conduta sendo vedada a militares da ativa. À época, o  Exército justificou a decisão ao afirmar que o processo administrativo não é de interesse público.  Também em julho do ano passado, dados dos crachás de acesso de dois filhos do presidente, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro ao Palácio do Planalto, foram colocados em sigilo por 100 anos. O argumento do Planalto: os dados dizem respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem dos familiares do senhor presidente da República.

Do cartão de vacinação à caçula

Um dos sigilos de 100 anos mais controversos diz respeito ao cartão de vacinação do presidente Jair Bolsonaro. Crítico ferrenho da vacina contra Covid, desde o início, o presidente garantiu que não tomaria a vacina e até hoje assegura que nunca foi imunizado. Diante do pedido de acesso ao documento, via Lei de Acesso à Informação, o Planalto negou. O sigilo de um século foi decretado e o argumento: tratam-se de dados pessoais. A matrícula da filha mais nova do presidente, Laura Bolsonaro, no Colégio Militar de Brasília também foi colocada sob sigilo de 100 anos. Laura entrou para a escola sem passar por processo seletivo. A alegação é de que a divulgação colocaria a vida da menina em risco.

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Em defesa das armas e da vida

Formado em sua maioria por pessoas em defesa da vida e contra o aborto, mesmo em situações como a da criança de 11 nos, vítima de estupro, o movimento Proarmas organiza um grande ato que deve acontecer em Brasília, no dia 9 de julho. Os organizadores da manifestação dizem que será uma defesa do direito do cidadão e pela liberdade de escolha. E a concentração está marcada para acontecer em frente à Catedral Metropolitana de Brasília, um dos principais pontos turísticos da capital. De lá os manifestantes farão uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios.

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À flor da pele

Ao longo dos últimos dias uma fonte da equipe de comunicação da campanha do presidente Jair Bolsonaro tem passado informações à Coluna a respeito da preocupação da equipe em relação ao potencial de estrago que o caso Milton Ribeiro pode provocar na candidatura à reeleição. Na tarde desta sexta-feira, a fonte voltou a falar com o autor da Ponto e Vírgula. Revelou que se antes o clima era de medo, agora é de nervos à flor da pele, por causa da informação divulgada pelo Ministério Público Federal que aponta que os áudios do ex-ministro indicar que o presidente Bolsonaro interferiu nas investigações.

MPF agravou tudo

Segundo a fonte, a equipe tenta encontrar alternativas para desviar o foco do assunto, mas admite que não será fácil blindar o presidente. Até então havia a divulgação de memes com a declaração de que Bolsonaro colocaria a cara no fogo pelo aliado e a suspeita de que os pastores que comandavam o gabinete paralelo agiam sob autorização do presidente. A sinalização do MPF, que aponta a possibilidade de participação direta do presidente está sendo avaliada internamente como o batom na cueca com o qual os marqueteiros terão de lidar.

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Jornalismo é profissão de risco

Ser jornalista no Brasil tornou-se um risco. Diante das constantes ameaças e dos casos de agressões e assassinatos de profissionais da categoria no Brasil, as comissões de Ciência e Tecnologia e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara vão discutir a violência contra jornalistas e garantias para o exercício da liberdade de imprensa no período eleitoral de 2022. Será na próxima quarta-feira, 29. Dados da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) apontam que entre 2019 e 2021 foram registradas 1.066 ocorrências de casos de violência contra esses profissionais no país. O total é superior à soma de todos os episódios registrados pela Federação entre os anos de 2010 e 2018.

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