Autor: José Marcelo | jornalistamarcelo@gmail.com
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Prisão de ex-ministro mexe com emocional de Bolsonaro e impacta campanha à reeleição

Baque foi no emocional e no estratégico

A prisão do ex-ministro da educação, Mílton Ribeiro, provocou estragos estratégicos e emocionais no palácio do Planalto, nesta quarta-feira. O presidente Jair Bolsonaro ficou abalado com a notícia da operação da Polícia Federal, que levou um aliado dele para trás das grades. Bolsonaro teve de ser aconselhado a não desmarcar o compromisso que tinha, na Confederação Nacional do Comércio. Na CNC ele participou do lançamento da Agenda Institucional do Sistema Comércio. Ao presidente foi dito que se ele não fosse, poderia sinalizar fraqueza e culpa em um dos momentos mais delicados do governo. Bolsonaro acatou, mas exigiu que a imprensa ficasse de fora e saiu sem falar com os jornalistas. Nem fez ataques à categoria, desta vez.

Presidente vai para a defensiva?

O estrago estratégico da prisão de Mílton Ribeiro foi na comunicação e na linha que estava traçada para a campanha à reeleição do presidente. Uma fonte da coluna, que falou sob a condição de anonimato, disse que internamente os marqueteiros já sabem que o episódio desta quarta tira Bolsonaro do ataque e o coloca na linha de defesa, não só da própria imagem, mas também do governo. Até então toda a comunicação vinha sendo pensada para atacar o principal opositor, o petista Luiz Inácio Lula da Silva. Para opositores, a prisão anula a frase de Bolsonaro, que em outubro de 2020 disse que havia acabado com a Lava-Jato porque não havia corrupção no governo dele.

Estratégia ressuscitada

No Congresso Nacional, a prisão do ex-ministro Mílton Ribeiro fez ressuscitar a estratégia de criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto gabinete paralelo comandado por pastores, suspeitos de cobrar propina para liberar recursos para prefeituras. Quando as denúncias surgiram, foram apresentados pedidos na Câmara e no Senado, mas nenhum foi adiante. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) voltou a recolher assinaturas para instaurar a CPI.

Agora vai?

Segundo Randolfe, em março o requerimento para instauração da CPI chegou a ter as 27 assinaturas mínimas exigidas pelo Regimento Interno do Senado. Mas teria bastado um fim de semana para que três parlamentares retirassem o apoio, antes de o pedido ser protocolado na Secretaria Geral da Mesa. “O governo fez um mutirão em uma mobilização pouco vista aqui na história do Congresso. Em um final de semana, retirou três assinaturas. Nós conseguimos repor uma assinatura em seguida”, disse o senador.

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Aeronaves agrícolas jogarão água

Vai ter avião agrícola jogando água na mata. É que a Câmara dos Deputados aprovou proposta do Senado que permite o uso da aviação agrícola no combate a incêndios florestais. O país acaba de entrar na época mais crítica para esse tipo de ocorrência, por causa da seca, principalmente na região Centro-Oeste. Agora só falta a sanção do presidente.

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Vitória da bancada do agro

Vitória para a bancada ruralista ou bancada do agronegócio no Congresso. É que a Câmara acaba de aprovar a Medida Provisória 1104/22, que permite o uso de Fundos Garantidores Solidários (FGS) para toda operação financeira vinculada à atividade empresarial rural. Na lista dessas atividades estão as resultantes de consolidação de dívidas e aquelas realizadas no âmbito dos mercados de capitais. Até hoje, os fundos só podiam garantir operações realizadas por produtores rurais, incluídas as resultantes de consolidações de dívidas.

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CNM quer prefeitos em protesto

A Confederação Nacional dos Municípios está botando o bloco na rua e acaba de convocar uma manifestação para o dia 5 de julho. Vai ser contra o que a CNM classifica como “medidas unilaterais dos Três Poderes federais que impactam fortemente a autonomia e os orçamentos municipais”. Traduzindo, a entidade quer os prefeitos em Brasília para protestar contra propostas como a que institui piso salarial para enfermagem e agentes comunitários e as que estabelecem um teto para cobranças de ICMS. Nas contas da CNM, essas medidas geram um rombo de R$ 100 bilhões por ano para as prefeituras.

Despesas? Só com receita

Além de lutarem contra propostas que têm impacto negativo nas contas municipais, a CNM quer atrair os prefeitos para pressionarem os deputados e aprovem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 122/2015, que proíbe a criação de novos encargos para os Municípios sem a devida previsão orçamentária. O texto já passou pelo Senado e por comissão especial da Câmara. Falta passar pelo Plenário. “É evidente que essa situação não é sustentável. As instâncias federais criam novas despesas e ainda aprovam medidas que reduzem a arrecadação dos Municípios. Como é que o gestor vai atender o cidadão lá na ponta dessa maneira?”, argumenta o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

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