Autor: José Marcelo | jornalistamarcelo@gmail.com
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Governo sabe que não pode mudar preços de combustíveis, mas quer passar recado

Não foi em vão

Para os mais desavisados defensores do governo, a fala do ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida na audiência da Comissão de Minas e Energia da Câmara nesta terça-feira foi um balde de água fria. Sachsida repetiu aquilo que o mercado, os presidentes da Petrobras e os ministros da área econômica do governo vêm dizendo há tempos: “é impossível interferir na política de preços da Petrobras”. O governo sabe disso. E quando o presidente Jair Bolsonaro insiste em troca de comando da estatal…

Bolsonaro quer passar mensagem

O que Jair Bolsonaro pretende com o discurso de troca de comando e ataques à Petrobras, segundo uma interlocutora do presidente, em conversa com a coluna, é tentar convencer a população de que ele está fazendo tudo para estar do lado do povo, mas que está de pés e mãos atados. Segundo a interlocutora, Bolsonaro acredita que assim mantém afastado o maior temor dele atualmente, que é uma possível greve dos caminhoneiros.

Canibalismo ou antropofagia

E por falar em Petrobras, o pedido de instalação da CPI para apurar supostas irregularidades na formação de preços dos combustíveis foi entregue nesta terça-feira na Câmara com cerca de 70, das 171 assinaturas necessárias. Parlamentares do centrão e defensores de Bolsonaro apostam na CPI como palco político favorável à reeleição do chefe do Executivo. A oposição se arma para investigar a aplicação dos lucros da empresa pelo governo e analistas de mercado veem a Comissão como um ataque do governo à maior e mais importante empresa brasileira. No campo das ciências, seria lima espécie de canibalismo ou antropofagia.

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Nova mudança de estratégia

A equipe de comunicação da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro deve apresentar um novo plano estratégico até o início da semana que vem, para tentar alavancar o nome do presidente, nas pesquisas de intenções de voto. O freio de arrumação foi acionado depois da divulgação de pesquisas internas que apontam que os ataques bolsonaristas à urna eletrônica não agregam novos votos, fortalecem a oposição e incomoda os indecisos. A informação foi passada à coluna por uma fonte palaciana que, por medo de represália, pede para não ser identificada.

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Lula também muda

Outra campanha que também passa por ajustes finos é a do ex-presidente Lula, que a cada vez que se empolga um pouco mais nos discursos que tem feito deixa os marqueteiros de cabelo em pé. Depois de se posicionar sobre os sequestradores do empresário Abílio Diniz, Lula foi chamado a atenção e teve de ouvir de petistas históricos que a verborragia dele estava colocando em risco os planos do PT e dos partidos que o apoiam. Segundo um assessor da campanha, surpreendentemente o petista reagiu bem à observação. Não é à toa que o novo tom já chegou até o texto das metas de governo. A revogação da reforma trabalhista, por exemplo, há tempos virou “revisão da reforma trabalhista, em discussão conjunta com a sociedade”, segundo brincou o assessor.

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Partidos maiores abocanham fundo

Por falar em candidaturas e eleições, a divulgação dos valores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que apenas cinco, dos 32 partidos políticos brasileiros ficarão com metade dos recursos do fundo eleitoral deste ano. Como maior partido do país, o União Brasil vai abocanhar 15,77% do total e terá R$ 782,5 milhões. O PT ficará com R$ 503,3 milhões, o MDB, com R$ 363,2 milhões, o PSD com R$ 349,9 milhões e o PP, com R$ 344,7 milhões.

Menores ficam na mão

Isso significa que partidos maiores, que abrigam os grandes caciques da política brasileira seguirão elegendo mais parlamentares e que dificilmente novas lideranças surgirão no país, segundo cientistas políticos ouvidos pela coluna. Como os recursos são definidos levando em conta a representatividade das legendas no Congresso, dificilmente partidos menores terão verba suficiente para fazer campanha e tornar conhecidas novas lideranças, que representam setores menos volumosos, mas igualmente importantes da sociedade. É do jogo. E para mudar esse jogo é preciso mudar a legislação. E como quem cria e vota as leis são os parlamentares que se beneficiam do que está aí…

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Servidores da Funai anunciam greve

A revelação das condições do assassinato do indigenista brasileiro Bruno Araújo, e do jornalista inglês, Dom Philips, está sendo visto por servidores da Funai como um ponto de partida para fortalecimento da instituição. A Funai foi criada para proteger os povos originários, mas vem sofrendo com falta de estrutura e até desvirtuamento dos objetivos iniciais. O primeiro passo que os servidores darão para chamar a atenção da sociedade e dos governos é uma greve geral, anunciada para esta quinta-feira, 23, em todas as unidades dos estados e do Distrito Federal. Eles também querem a saída do presidente do órgão, Marcelo Augusto Xavier da Silva.

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