InícioMundoEspecialistas divergem sobre uma nova onda de governos esquerdistas na América Latina

Especialistas divergem sobre uma nova onda de governos esquerdistas na América Latina

No entanto, todos concordam que a eleição do Brasil será decisiva para os rumos da direita na região

A Colômbia terá o primeiro presidente de esquerda desde a democratização do país. Gustavo Petro, ex-guerrilheiro e senador do país, venceu o seu opositor de direita no segundo turno das eleições presidenciais neste domingo, 19.  Desde 2019, a esquerda vem avançando em vários países sul-americanos nas últimas eleições. Como é o caso, por exemplo, de  Alberto Fernández, que venceu o pleito na Argentina. No Peru, no ano passado, Pedro Castillo venceu a candidata Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori. Na Bolívia,  Luis Arce, aliado de Evo Morales, venceu a última eleição.

Em dezembro, no Chile, o ex-líder estudantil Gabriel Boric venceu o advogado José Antonio Kast. Houve ainda a vitória de Xiomara Castro em Honduras.

Com exceção da Bolívia, todos esses países eram governados pela direita.

O Brasil, que é governado pelo presidente Jair Bolsonaro, de direita, pode também voltar a ser comandando por um presidente de esquerda. Segundo as últimas pesquisas, o ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva pode vencer as eleições de outubro.

Quanto à possibilidade de tendência na América Latina de governos de esquerda, especialistas divergem.  

‘Ciclos eleitorais’

Para o cientista político Adriano Oliveira, isso não significa uma onda da esquerda na América Latina. “Não podemos ter uma visão generalista do resultado de alguns países como um todo. Eu vejo como ciclos eleitorais, vejo o resultado dessas mudanças de governos de direita para esquerda ou centro esquerda como resultado de crises, principalmente crises econômicas, como acontece no Brasil. Mas de modo algum acho que isso vai se transformar numa onda de governos da esquerda na Amárica Latina”, destaca.

Já para  o cientista político Guilherme Soares, é inegável que a  América Latina vive uma onda de governos de esquerda.

“É fato que a Colômbia se junta a outros países que estão com governos considerados de esquerda na América Latina. E é fato também que o Brasil pode se juntar a esses governos de esquerda, que pode sim se espalhar a outros países da região. E por conta disso a campanha de Jair Bolsonaro deve ser de vender a narrativa de colocar Bolsonaro como o última esperança latina contra o comunismo, utilizando tons alarmantes. Então vejo sim que essa deve ser uma tendência na América Latina, e acho importante para a democracia a alternância de poder.”

 O cientista político Antônio Testa destaca que o Brasil é o único país conservador na América Latina, neste momento. “As esquerdas estão no governo de quase todos os países. Mas as eleições mais decisivas serão as brasileiras. Agora somente o Brasil tem um governo conservador na América Latina. Portanto, a pressão sobre o Brasil vai aumentar. De qualquer forma, esses movimentos políticos de direita e esquerda são cíclicos. E a América Latina não avança num bloco só porque os países não se unem em bloco para se posicionar como player global”, conclui.

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