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Água para consumo humano tem alto índice de agrotóxico no país, mostra levantamento

Especialista diz ser impossível evitar compostos químicos, mas algumas medidas podem diminuir danos

Levantamento realizado pelo Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água (Sisagua), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, revela que uma mistura de 27 agrotóxicos diferentes foi encontrada na água para consumo humano em mais de 2,3 mil cidades do Brasil, entre as quais se destacam a capital paulista e a cidade também paulista de Ribeirão Preto (SP).

O professor Luiz Fernando Ferraz da Silva, do curso de Medicina da Faculdade de Odontologia de Bauru, considera impossível evitar completamente a presença dos agrotóxicos no cotidiano. “A fervura da água antes do consumo e a utilização de filtros barram alguns agrotóxicos, mas não eliminam totalmente a presença dos compostos químicos”, relata.

Os comentários do professor fizeram parte de recente reportagem publicada pela Rádio e pelo Jornal da Universidade de São Paulo (USP), onde ouvintes e leitores levantaram questionamentos sobre as formas de se evitar os impactos na saúde humana da contaminação da água por agrotóxicos.

Denominada de “Alto Índice de agrotóxicos nas águas da torneira de diferentes cidades brasileiras”, a reportagem aborda os dados e informações do levantamento divulgado pelo Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água.

Luiz Fernando Ferraz explica que o agrotóxico, quando consumido em baixas quantidades, não apresenta ameaça à saúde humana. O problema dos compostos, segundo ele, está no efeito cumulativo no organismo, já que os agrotóxicos estão presentes não só na água, mas também nos alimentos.

Ele explica, ainda, que lavar bem as folhas, verduras e legumes e, quando possível, retirar a casca das frutas ajudam a diminuir a presença dos compostos químicos no organismo e, consequentemente, minimizam as chances de problemas de saúde futuros causados pela intoxicação.

Especialistas sobre o assunto consideram que os processos inflamatórios crônicos e disfunções metabólicas são as consequências mais comuns causadas pelo excesso de defensivos agrícolas e compostos químicos advindos da poluição. Além disso, os agrotóxicos também podem potencializar problemas já existentes. O professor Luiz Fernando Ferraz ressalta, no entanto, que a presença dos defensivos agrícolas se faz necessária para manter a produtividade e garantir a alimentação da população.

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Mais qualidade de vida

Segundo Ferraz, uma estratégia é tentar diminuir a quantidade de agrotóxicos em larga escala para preservar o meio ambiente e melhorar a saúde pública, garantindo assim uma economia funcional e mais qualidade de vida à população. Para o estudioso, o uso de agrotóxicos afeta não só o organismo humano, mas também contamina lençóis freáticos e causa dano ao meio ambiente.

Alguns alimentos comuns do dia a dia como frutas e hortaliças podem ter agrotóxicos em excesso, mas nem sempre as substâncias tóxicas são visíveis, pois além de não serem facilmente identificadas nas cascas, algumas sequer alteram o sabor e outras ainda podem penetrar até a parte interna dos vegetais.

Aparentes ou não, a questão é que não se sabe ainda quais os reais impactos dos pesticidas à saúde de quem consome os alimentos, pois o assunto é bastante polêmico. De um lado há quem defenda que essas substâncias podem fazer mal à saúde e a população não é informada de forma clara sobre seus usos e riscos; de outro há especialistas que afirmam que os agrotóxicos são necessários para a produção.

“O Brasil é uma das maiores potências no setor agropecuário do mundo e se encontra no topo quando o tema é a utilização de agrotóxicos. Seu uso está relacionado a fatores climáticos, pois o clima tropical na maior parte do seu território favorece o ciclo de pragas”, explica Marcella Garcez, nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Levantamento publicado este ano pela Unearthed, organização jornalística independente financiada pelo Greenpeace, em parceria com a ONG suíça Public Eye, mostrou que o Brasil é o principal mercado de agrotóxicos “altamente perigosos”.  A Organização Mundial da Saúde (OMS) os define como pesticidas que são “reconhecidos por apresentarem níveis particularmente altos de riscos agudos ou crônicos para a saúde ou o meio ambiente, de acordo com sistemas de classificação internacionalmente aceitos”.

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