InícioColuna Ponto e VírgulaAlmirante deixou ministério a pedido, mas a contragosto

Almirante deixou ministério a pedido, mas a contragosto

Havia, sim, um atrito

Foi a pedido, mas não foi em harmonia. O almirante Bento Albuquerque saiu desgastado e desgostoso do Ministério de Minas e Energia, segundo uma alta fonte do MME confidenciou à coluna Ponto e Vírgula. Segundo essa fonte, o Almirante teve um embate com o presidente Jair Bolsonaro na época da nomeação de José Mauro Ferreira Coelho para a direção da Petrobras e a situação veio se agravando, desde então. Bento Albuquerque apresentou e defendeu nome de Coelho, depois da fritura pública de Adriano Pires e Rodolfo Landim, que em função de conflitos com a política de compliance não puderam assumir.

Uma cabeça em oferta

Acontece que ao nomear José Mauro Ferreira Coelho para a Petrobrás, Bolsonaro acreditou que teria, finalmente, o controle do preço dos combustíveis nas mãos. Não foi o que aconteceu. Quatro semanas depois de sentar-se na cadeira de comando da estatal do petróleo, Coelho dei sinais de que não tinha como alterar a política de preços da empresa e o anúncio do aumento de quase 9% no preço do diesel foi o gatilho para a crise que fez o almirante pedir para sair do ministério. A dois interlocutores do MME, Bento Albuquerque teria dito que ele seria a cabeça a ser oferecida pelo presidente aos caminhoneiros.

Medo dos caminhoneiros

A suposta fala do agora ex-ministro, ao deixar o cargo, tem razão de ser. Bolsonaro teme que os caminhoneiros revivam a greve de 2018 e que na época o beneficiou na corrida presidencial. Conforme antecipado nesta coluna, o presidente até mobilizou equipes de vigilância para acompanhar a situação. A primeira greve de motoristas autônomos já começou no Espírito Santo e segundo uma assessora do terceiro andar do Palácio do Planalto, há a esperança de que a troca de comando no ministério sacie a sede de sangue da categoria e evite que outros estados façam o mesmo.


Guedes, enfim, prestigiado

A saída do almirante Bento Albuquerque voltou a fortalecer o ministro da economia, Paulo Guedes. O outrora “Posto Ipiranga” do governo foi consultado sobre o sucessor da pasta. E já que ele havia sido preterido nas tentativas e na troca de comando da Petrobrás, desta vez foi perguntado e indicou Adolfo Sachsida para comandar o MME. A propósito, o governo teme que o almirante saia atirando. Amigos, no entanto, garantem não ser do feitio dele.

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E o aumento?

E por falar em Paulo Guedes, a equipe técnica do Ministério da Economia ainda espera que o presidente Jair Bolsonaro bata o martelo sobre o aumento de salário linear de 5% para todos os servidores públicos da União. É que o calendário está avançando e o tempo hábil para incluir o gasto na previsão orçamentária só encolhe. Nesta quarta foi mandado um aviso ao Palácio lembrando as datas e com a ressalva de que ainda será preciso editar uma Medida Provisória tratando do assunto.

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Tensão na equipe

Hás um clima de “barata voa” na equipe de comunicação do presidente Jair Bolsonaro, depois da revelação de que o governo dos Estados Unidos emitiu um alerta de risco a investidores norte-americanos a respeito da ameaça de golpe do Brasil. Como a medida pode afastar investidores das terras do “Tio Sam” e tirar muitos dólares do Brasil, há temor de que a situação contamine outros mercados, segundo a mesma fonte do terceiro andar do Palácio. Por enquanto, segundo a assessora, a ordem é encontrar uma forma de o presidente seguir falando grosso para os convertidos e mais ameno para o mercado. Vai que cola.

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Quem paga essa conta?

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) está de olho no impacto da Emenda Constitucional que estabelece o vencimento dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Na avaliação da CNM, o vencimento dos agentes é de responsabilidade da União e está fixado em dois salários, o que representa R$ 2.424 a serem pagos com recursos no Orçamento Geral da União da União. A Confederação assegura que aos Estados, Distrito Federal e Municípios cabe arcar com os demais direitos e obrigações trabalhistas.

Tamanho do baque

De acordo com o levantamento da CNM, existem cerca de 400 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e de Combate às Endemias (ACE) no Brasil. O problema é que quase todos estão vinculados diretamente aos municípios. A CNM alerta que, mesmo com a cobertura da União para o pagamento do piso salarial estabelecido na Constituição, ainda há um impacto aos cofres municipais estimado em R$ 1,7 bilhão ao ano, além dos mais de R$ 3 bilhões ao ano que os Municípios já assumiram em 2021, decorrentes das contratações dos agentes.
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