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EXCLUSIVO: bastidores das pré-candidaturas ao Senado pelo DF que racharam a base aliada de Bolsonaro e de Ibaneis

As ex-ministras Flávia Arruda (PL) e Damares Alves (Republicanos) disputam a preferência do presidente da República e do governador do Distrito Federal em um jogo que prejudica as duas campanhas

O Republicanos prepara o lançamento oficial da pré-candidatura da ex-ministra da Mulher e dos Direitos Humanos Damares Alves ao Senado pelo Distrito Federal para o fim de maio ou início de junho. O núcleo de coordenação da campanha já está trabalhando. O presidente Jair Bolsonaro (PL) e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, são esperados no evento.

Mas o partido de Bolsonaro já tem outra pré-candidata lançada ao Senado no DF: a ex-ministra da Secretaria de Governo e deputada federal Flávia Arruda (PL-DF). A filiação de Damares Alves ao Republicanos, com a transferência de domicílio eleitoral para Brasília, no mês passado, trouxe um componente até então inesperado na disputa pela única cadeira de senador disponível nas eleições de outubro: duas candidaturas da base governista ao mesmo cargo.

Na véspera do fim do prazo de filiação, Damares procurava um partido aliado a Bolsonaro para se lançar ao Senado pelo Amapá, mas foi impedida pelas articulações do senador Davi Alcolumbre (União-AP). Na última hora, a ex-ministra acabou decidindo pela capital federal e pelo Republicanos. A possível candidatura ao Senado era vista com desconfiança, mas de lá para cá tem se consolidado.

O Mais Brasil News apurou que Bolsonaro não pretende interferir na disputa entre Flávia Arruda e Damares Alves. O presidente só tem a ganhar com duas candidaturas que apoiam o nome dele por mais quatro anos no Palácio do Planalto. Mas a situação muda no cenário local. Para a campanha de Ibaneis Rocha (MDB) à reeleição ao GDF, há o risco de fratura na base aliada, com o Republicanos apoiando uma candidatura de oposição.

“Se não tiver espaço na chapa de Ibaneis, Damares será candidata ao Senado de qualquer jeito. E aí veremos em qual condição”, disse ao Mais Brasil News o presidente regional do Republicanos, Wanderley Tavares.

Na análise do cientista político Antônio Flávio Testa, toda a pressão recai sobre o governador do DF. “Para o governo federal, a disputa não altera o jogo. Bolsonaro pode deixar as duas se entenderem, sem interferir no processo. Aqui no DF, é diferente: Ibaneis Rocha se vê pressionado para escolher o vice”, avalia.

De fato, Ibaneis já é pressionado por diversos aliados a negociar a vaga de vice-governador na chapa. Articuladores da pré-campanha pretendem deixar a decisão para a última hora, no início de agosto, na véspera do registro da chapa no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).

A candidatura de Damares ao Senado é vista como uma pressão dupla, em Ibaneis e em Flávia Arruda. O Republicanos pretende indicar o vice de Ibaneis e só lançou Damares depois de perder a suplência na chapa de Flávia ao Senado.

Outro partido que busca o posto de vice de Ibaneis é o PP, com a deputada Celina Leão, que por enquanto é pré-candidata à reeleição. Mas o grupo ligado ao ex-governador José Roberto Arruda também disputa a cadeira de vice na chapa do atual governador, que precisa agora negociar espaços para manter a base unida em torno da candidatura dele à reeleição.

Arruda tem trabalhado nos bastidores para manter em circulação a possibilidade de sua mulher se lançar ao GDF como adversária de Ibaneis, o que também conta com a simpatia do Palácio do Planalto e é visto como mais um instrumento de pressão para garantir as melhores posições na chapa.

Reaproximação

Não por acaso, o governador e Flávia têm aparecido juntos desde a semana passada em agendas positivas do GDF. Depois de rumores de que Ibaneis já teria sido avisado da possibilidade do lançamento da candidatura da deputada ao Palácio do Buriti, os dois almoçaram juntos e afastaram a possibilidade de ruptura, reafirmando a união.

No sábado, 7,  cumpriram agenda unidos. Em Samambaia, participaram de um encontro do Conselho de Pastores Evangélicos. Em seguida, no Recanto das Emas, gravaram vídeos sobre as obras do viaduto que liga a região administrativa ao Riacho Fundo 2. E terminaram no Taquari, inaugurando a nova via que liga o bairro ao Varjão e ao Lago Norte, almoçando com a comunidade local. As agendas em comum vão se multiplicar nos próximos dias.

Enquanto isso, distante das pautas locais, Damares Alves cumpria agenda no Nordeste, ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Até o fim do mês, a ex-ministra terá mais compromissos nacionais, que já estavam marcados antes da pré-candidatura ao Senado pelo DF. Ela tem a função de aproximar o público feminino da candidatura de Bolsonaro à reeleição. As primeiras agendas no Distrito Federal vão aparecer somente no fim de maio.

Enquanto Ibaneis tenta reacomodar os aliados, Damares ainda tem esperança de ser a candidata a vice na chapa de Bolsonaro. As chances são pequenas. O presidente prefere o ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Mas a ex-ministra tem o apoio da família Bolsonaro. 

Alternativa

A divisão da base bolsonarista na disputa ao Senado é vista com preocupação pelos coordenadores da campanha de Flávia Arruda, que temem a possibilidade de uma ameaça à vitória, até então praticamente garantida.

O risco pode vir da oposição, com um candidato apoiado pelo PT, ou da terceira via. O senador Reguffe (União-DF), por exemplo, poderia disputar a reeleição em vez de tentar o Palácio do Buriti. E Damares Alves está otimista com a possibilidade de disputar o Senado. Pretende ser a primeira mulher presidente da Casa, prevendo a reeleição de Bolsonaro.

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