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‘É coisa de preto’; em menos de uma semana foram dois casos de racismo no Brasil

Especialista afirmam que o constante negacionismo no seio da sociedade faz com que não consigamos superar a cultura racista em nosso país

Os casos de racismo repercutiram bastante. O primeiro ocorreu num vagão de metrô de São Paulo. Segundo a vítima, Welica Ribeiro, uma mulher loira perguntou se ela poderia “tirar o cabelo” de perto dela, caso contrário, poderia “passar alguma doença”. A revolta foi grande. Os demais passageiros do vagão ficaram indignados e chegaram bloquear a saída da estação até a chegada da polícia.

Em um cenário completamente diferente, agora, na Câmara Municipal de São Pulo. Era a reunião de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) quando ela foi é interrompida após uma voz dizer frase racista no microfone “é coisa de preto”. A voz seria do vereador Camilo Cristófaro (PSB).

Ambos os casos já estão sendo investigados.

Agora, qual o motivo de tanto ódio? Por que os casos de racismo ainda continuam ocorrendo, e mais, com tanta frequência?

O constitucionalista e diretor do Instituto Luiz Gama, Júlio César, explica que ambos os casos de racismo não são episódios isolados.

“Diariamente presenciamos inúmeros episódios de racismo, fruto de uma sociedade colonizada onde a escravidão foi explorada por mais de 388 anos e que teve uma abolição que completa este ano 132 anos sem as devidas politicas reparatórias”, explicou César.

Para o constitucionalista é um mito afirmamos que vivemos numa democracia racial.

“O constante negacionismo presente no seio da nossa sociedade faz com que não consigamos superar a cultura racista nacional, servindo como um mecanismo de manutenção de privilégios e da falácia da meritocracia. Se analisarmos outras culturas na ceara jurídica o Brasil é que possui uma das melhores legislações em termo da defesa da igualdade”, explicou Júlio César.

Ainda segundo o constitucionalista, tanto as instituições públicas como as privadas pactuam no sentido da perpetuação da discriminação racial, sendo um instrumento fundamental na marginalização da população negra. “É necessário para superação do racismo que haja um letramento racial nas instituições públicas e privadas, que definam politicas antirracistas. Precisamos disso urgentemente”, concluiu César.

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