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Brasília tem prato típico? candangos contam como variedade gastronômica transforma o ‘quadradinho’ em um espaço único

No meio disso tudo, a memória afetiva reacende sabores e opções da culinária mesclada da capital federal

Brasília é uma mistura de todas as regiões do Brasil. Um lugar onde a diversidade é marcante. E isso também está muito presente na gastronomia. 

Cada prato traz uma sensação ou uma memória a um ponto da cidade. Seja comer um pastel da Viçosa com caldo de cana na rodoviária após um dia de trabalho, ou comer um sarapatel na feira de Ceilândia ou tomar aquele chope gelado com um kibe no Beirute.

A comida traz memórias afetivas, como aquele prato que lembra o almoço da mãe, a sobremesa que o irmão sempre pedia no aniversário ou aquele churrasco de domingo embaixo do sol, com muita música e cervejinha gelada.

Mas no caso de Brasília, a diversidade gastronômica e de acesso a diversos pontos varia de cada pessoa, o que torna a experiência culinária cada vez mais rica. 

Para a mestranda em Comunicação, Ana Luíza Duarte, a Universidade do Pastel, localizado na Feira do Guará, é o seu lugar favorito. “Eu acho que além de ser uma coisa muito característica do Guará e da Feira do Guará, que é o pastel, me traz muitas memórias boas de lá com a minha família quando eu era bem pequena. Eu acho que o pastel com o caldo de cana é uma coisa bem brasiliense”, reforça.

Tanto a pastelaria Viçosa, na rodoviária, quanto a Universidade do Pastel, na Feira do Guará, são ótimas opções pros amantes de pasteis. Foto: Reprodução/Instagram

Já a Ana Clara Botovchenco conta que desde pequenininha ela saía de uma asa de Brasília para a outra apenas para ir almoçar no Don Durica, restaurante de comida mineira na Asa Sul.

“Desde que eu era bem pequena, bem pequena mesmo, questão de meses de idade, eu vou naquele restaurante. É um restaurante que me traz muitas memórias. Fica perto do Templo Budista que, pra mim, é um lugar que quando você vem pra Brasília você precisa visitar. E é uma comida muito saborosa, é uma comida que me remete à minha família, aos meus pais, tem a melhor farofa do mundo [risos],então é o meu restaurante favorito de Brasília”, disse.

E a estudante de design Fernanda Karen gosta tanto do Hot Dog da Igrejinha, localizado ao lado da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima na 308 Sul, que sempre que pode faz indicação do local. Ela vai com tamanha frequência no lugar, que até contou a história.

“Inicialmente se chamava hot dog do Raimundo, mas que com o passar do tempo o Raimundo percebeu que o nome Hot Dog da Igrejinha pegou mais, então ele trocou. Isso porque o lugar fica na frente em uma igrejinha em Brasília”, relata.

A estudante também adora a localização do lugar. “Além de ser na frente da Igrejinha, ela é perto do Cine Brasília então você pode acabar emendando um rolê no outro e isso é muito perfeito!”, ressalta brasiliense. Fernanda finaliza babando pela variedade de molhos nos cachorros quentes, com opções variadas.

Xique Xique

Vários restaurantes ou estabelecimentos da capital federal são negócios de família e seguem funcionando até hoje. 

Este é o caso do restaurante de comida nordestina Xique Xique. O dono da rede, Robson Lucena, conta que o negócio começou com o pai, assim que ele se mudou para Brasília na década de 1970. A primeira unidade do restaurante foi inaugurada em 1979, na 708 da Asa Norte. No ano seguinte, em 1980, o lugar também migrou para a Asa Sul, onde permanece na 107 Sul.

Junto da carne de sol, o restaurante Xique Xique oferece acompanhamentos tipicamente nordestinos, como manteiga de garrafa e queijo coalho. Foto: Gabriela Gallo

O pai de Robson, natural de Caicó (RN), sentia falta da comida nordestina de sua terra natal, especialmente da carne de sol. Com isso, ele resolveu abrir o restaurante que se mantém firme nos negócios da família e entre os candangos até os dias de hoje. 

Lucena filho inclusive acredita que a carne de sol se tornou algo mais brasiliense, do que nordestino. “Eu até brinco com alguns amigos porque, realmente Brasília não tem uma comida típica, mas eu até falo que carne de sol de tornou uma comida típica de Brasília. Porque eu acho que hoje a gente come mais carne de sol em Brasília do que no próprio Nordeste. Então eu até falo que hoje o Xique Xique é uma comida tipica brasiliense e não uma comida nordestina”, ressalta.

Feira

Outro lugar ótimo para conhecer a variedade gastronômica brasiliense são as Feiras da cidade, como a Feira dos Goianos e Feira de Ceilândia.

A Feira da Torre de Brasília é um lugar cheio dos mais variados pratos, que variam entre pratos nordestinos, do norte e do sul. Foto: Gabriela Gallo

Na Feira da Torre de Brasília, apesar da oferta de comidas típicas do Nordeste, como o acarajé e o caruru serem bastante presentes, as comidas que mais chamam a atenção são as que vêm da região Norte, como o tacacá e o peixe tambaqui. 

Na Feira da Torre, o visitante pode escolher desde o sabor do Centro-Oeste (fruta do cerrado) até o do Nordeste (acarajé e cocada). Fotos: Gabriela Gallo

Porém, mesmo não tendo um prato tão característico, comidas que remetem à região Centro-Oeste do Brasil podem facilmente serem lembradas pertencentes ao quadradinho, como as frutas do Cerrado. 

O quiosque “Sorvete da Torre”, na praça de alimentação da Torre de TV de Brasília, é voltado para venda de sorvetes e açaís, mas o foco são os sorvetes do cerrado. 

João Gabriel Goes de 21 anos, é neto do criador e dono do estabelecimento e segue os negócios da família na feira da capital. Ele conta que a produção do sorvete é artesanal, ou seja, eles produzem o gelado e que a loja começou com a demanda da população.

“A galera pedia bastante essas frutas: Bacuri, cupuaçu, pedia bastante do cerrado como buriti, cajuzinho do cerrado, mangaba, essas frutas. […] O que mais sai é o buriti, o cajá também fruta do cerrado, o cajuzinho, a mangabá, são os que mais saem, é cargo chefe”, conta.

Com a variedade de frutas e a regionalidade do país, ele comenta que muitas pessoas de fora estranham alguns sorvete, como o de taperebá, nome em que o norte chama o Cajá. “A pessoa as vezes fica com preconceito por conta do nome, mas quando experimenta ve que é muito bom, azedinho e refrescante”.

Dom Bosco

Dizem que tudo termina em pizza. E em Brasília termina mesmo: na pizzaria Dom Bosco, localizada nas Asas Sul e Norte e outras cidades distritais.

Mesmo não identificando um prato típico de Brasília, a simplicidade da pizzaria Dom Bosco torna-se seu maior ponto forte e quase um patrimonio gastronomico da cidade

Inaugurada na década de 1960 por Enildo Veríssimo Gomes, que cuida do lugar até hoje, o lugar foi a primeira pizzaria da capital federal e se tornou um dos maiores points da culinária brasiliense com uma receita extremamente simples.

O lugar vende apenas uma pizza de mussarela com bastante molho de tomate e uma massa muito bem feita e saborosa.

O tema da pizzaria Dom Bosco é “Uma dupla e um mate”, referente a duas fatias juntas da pizza e uma copo de chá mate
Foto: Gabriela Gallo

E quem conhece o estabelecimento sabe que a simplicidade da receita é o seu maior charme e o que a torna tão rica e popular.

O tema do lugar é “uma dupla e um mate” combinação tradicional que prevalece até hoje no coração, na memória e no estômago, dos candangos.

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