InícioBrasilPANDEMIA: 'o trabalhador precisa deixar de ser visto como inimigo pelo empresário',...

PANDEMIA: ‘o trabalhador precisa deixar de ser visto como inimigo pelo empresário’, diz ex-PGT

O ex-procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, foi o entrevistado desta quarta-feira, 19, da rádio Mais Brasil News

O 45 Minutos desta quarta-feira, 19, recebeu o ex-procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury. Em entrevista ao apresentador Clebio Cavagnolle, o advogado falou sobre como a Covid-19 mudou as relações de trabalho em todo o mundo e sobre os diretos dos trabalhadores neste momento pandêmico. 

“Houve um avanço extraordinário. As resoluções previstas para o meio de trabalho foram antecipadas para 2020 por uma necessidade e o próprio home office é exemplo disso”, disse. Para Fleury, apesar de não ser algo totalmente novo, o trabalho remoto trouxe consigo uma série de desafios. 

“A questão é que com a pandemia isso (home office) tornou-se a única forma de trabalho para muitas empresas e boa parte delas não estava preparada. Todos tiveram que se adaptar a novos sistemas e programas em um curto espaço de tempo”, lembrou. 

Ele criticou a forma como muitos empresários e gestores lidam com esse tipo de trabalho. “O problema é o imediatismo do empresariado brasileiro. O empresário daqui investe de manhã para ganhar à tarde, enquanto nos países desenvolvidos você tem uma expectativa de retorno dos investimentos muito mais gradual e consistente”, explicou. 

E continuou: “É preciso que o trabalhador deixe de ser visto como inimigo do empresário, do gestor. Nós sabemos que em casa o controle de jornada é muito mais complicado e, fatalmente, ele estará sujeito a uma jornada de trabalho maior do que se estivesse no seu trabalho, e não o contrário”. 

Vacinação

O advogado também comentou a polêmica que gira em torno da possibilidade de empregadores exigirem comprovante de vacinação de seus empregados. “Cabe ao gestor zelar pelo ambiente de trabalho, para que os trabalhadores voltem para suas casas da mesma forma que chegaram: saudáveis e vivos”, afirmou.

Nesse sentido, Fleury considera que, a partir do momento em que os funcionários são expostos ao novo coronavírus no ambiente de trabalho, a empresa passa a ser responsável por possíveis contaminações.

“A Covid está aí e é extremamente transmissível. Cabe à empresa trabalhar para que essa transmissão não ocorra, pedindo atestado de vacinação e fazendo exames regulares. É preciso que ela (empresa) se cerque de métodos e garantias para diminuir riscos, e que trabalhe na conscientização dos funcionários sobre a importância da vacina”, estimulou. 

Reforma trabalhista

O ex-procurador-geral do Trabalho aproveitou a ocasião para falar sobre a reforma trabalhista. Para ele, o assunto foi poucas vezes debatido mas sempre se pautou em três pilares: segurança jurídica, criação de empregos e formalização. Fleury acredita que a reforma fracassou nos três. 

“Com relação à formalização, houve aumento da informalidade. Sob esse aspecto, a reforma foi um fiasco. Criação de empregos, zero. Houve, de lá para cá, aumento do desemprego. Também sob esse segundo prisma, fiasco. E quanto o terceiro, segurança jurídica, hoje temos mais insegurança que segurança”, concluiu. 

ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Últimas Notícias

Publicidadespot_img
WP Radio
WP Radio
OFFLINE LIVE