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Cenário para 2022 não será tão dramático quanto 2021 por conta da vacina, diz pesquisador da Fiocruz

Raphael Guimarães, pesquisador da Fiocruz foi o convidado do 45 minutos desta sexta-feira (14)

A expectativa para 2022 é que provavelmente o cenário não será tão dramático quanto no ano passado. Quem disse isso foi o epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Raphael Guimarães durante o programa 45 Minutos da Mais Brasil News nesta sexta-feira, 14.

O principal motivo para que o cenário deste ano seja melhor que a do ano passado tem um motivo, a vacinação. “Ano passado a vacinação não estava avançada então o número de casos graves era maior, esse ano o número de internações é menor devido a vacinação. os cenários são diferentes. A expectativa é que a medida que a cobertura vacinal aumente, diminua o número de internações”, disse o pesquisador da Fiocruz.

Raphael alerta para dois fatores: o primeiro é que o Brasil já enfrenta uma transmissão comunitária da ômicron, uma variante que transmite com uma maior velocidade. A segunda é que com a diminuição gradativa dos leitos, gerou uma taxa de ocupação maior nas UTIs nessa terceira onda. Que o mais provável neste momento é que a oferta de leitos deve ser aumentada.

Sobre os leitos :

Durante a entrevista, Raphael frisou que para a instalação de novos leitos é preciso de quatro fatores importantes: ” é preciso do leito, dos equipamentos necessários para suprir esse leito, dos insumos e de uma equipe qualificada para trabalhar nesse leito”, ressalta Raphael e completa dizendo que no momento se observa um afastamento grande de profissionais de saúde devido a ômicron.

Sobre a variante ômicron, o pesquisador da Fiocruz faz um alerta. Apesar de ser menos letal que as outras variantes, a ômicron transmite com uma velocidade maior, ou seja, proporcionalmente esse número pode gerar um aumento no número de internações, que é o que vem sendo observado no Brasil neste início de ano. ” Se eu tenho 1% dos casos da ômicron que evoluem para caso grave, é menor que a Delta. Porém, se eu tenho 10 mil casos de ômicron eu vou ter igualmente as 100 pessoas que estão demandando por recursos de internação”, explicou Raphael.

Uso de máscara:

A respeito do uso de máscara, Raphael Guimarães ressalta que essa prática não deveria ter sido abandonada pelo brasileiro. “Nunca deveria ter saído da obrigação do uso de mascara, os asiáticos souberam lidar melhor por ter uma cultura do uso de máscara, não há porque abandonar o uso de máscara. Para quem abandonou eu recomendo fortemente que volte a usar”, disse o epidemiologista .

Foto: Reprodução/Mais Brasil News

Vacina:

Sobre as vacinas, Raphael pontua que é necessário buscar aqueles que ainda não se vacinaram, porque estes, são os mais vulneráveis ao vírus. ” É preciso ver aqueles que não tomaram a vacina, provavelmente são as mesmas que não usam máscara e são as mais vulneráveis”, ressalta o pesquisador.

E reforça que é preciso acreditar nas instituições brasileiras responsáveis pelo controle da vacina e pontua que as diversas versões do governo federal acaba confundindo a população. ” É Preciso acreditar nas instituições. Se hoje temos pessoas do executivo falando contra e a favor, acaba deixando a população confusa”.

Raphael finaliza dizendo que o brasileiro nunca questionou as vacinas que fazem parte do Programa Nacional de Imunização (PNI), porque o fazem agora ? ” Em 46 anos de PNI, nunca vi questionarem a vacina de sarampo e polio, os recém nascidos tomam 26 vacinas no primeiro ano, porque questionar a vacina da covid”, questiona o pesquisador. E completa dizendo, ” Hoje dispõe de tecnologia para realizar o estudo mais rápido”, finaliza o pesquisador

Testes:

Outro assunto foi sobre os testes. O epidemiologista alerta que a falta de testes é um problema global, não apenas do Brasil, e que pode acarretar na falta de conhecimento acerca de quantificar o números de pessoas que estiverem com a doença. “A Falta de insumo é preocupante, não é uma situação só brasileira. Essa carência tem a ver com a rápida transmissão da ômicron que demanda uma testagem maior é possível notar uma carência, não conseguindo testar eu não sei quem está doente e portanto não sei quem isolar”, disse Raphael.

Sobre o auto teste, Raphael Guimarães fala que o assunto divide opiniões. E pontua que uma das preocupações é de que o auto teste possa mascarar o número de casos de Covid-19. “A pessoa quando faz o auto teste e da positivo, ela se resguarda. Isso pode criar um transtorno para não conseguir definir a quantidade de casos leves porque essa pessoa não vai pra unidade de saúde para fazer o teste”, adverte o pesquisador. O contraponto é de que essas pessoas cuidariam mais.

Sobre a Covid:

Raphael explica que o surgimento das variantes, tanto a Delta como a Ômicron, nada mais é que uma tentativa do vírus se adaptar ao novo ambiente. “É um vírus novo a Covid, ele ainda está se transformando para se adaptar ao meio ambiente, essas variantes são tentativas do vírus para se adaptar ao ambiente hostil. Isso não significa que a pandemia tá no fim, mas mostra que o vírus ta tentando se transformar para sobreviver no ambiente”, explica o epidemiologista

O pesquisador também ressalta que só vai ser possível saber a periodicidade da vacina após a campanha da terceira dose estiver em um nível mais avançado.”Só vai poder saber a periodicidade da vacina se tiver uma cobertura avançada das três doses, é aí que vamos saber o quanto conseguimos bloquear o vírus para saber qual será a periodicidade dessa vacina”, pontua Raphael

Influenza:

Sore o surto de Influenza que o Brasil sofre, o pesquisador fala que o vírus da Influenza tem uma capacidade de mutação muito grande e que a vacina existente no momento não cobre a variante H3N2. “O vírus da Influenza tem muitas transformações. A vacina que temos nesse momento não cobre essa variante a H3N2. Se trata de falta de cobertura, não era esperado, o esforço agora é incluir essa cepa na vacina. As pessoas deveriam se vacinar contra a Influenza do mesmo jeito, a gripe pode evoluir para uma Pneumonia Viral por exemplo”, explica Raphael.

Afastamento dos profissionais:

Sobre colocar os profissionais de saúde que estão com Covid, porém assintomáticos, para trabalhar na linha de frente, Raphael acredita que essa prática é controversa. “Essa é uma prática controversa, colocar uma pessoa infectada, não consigo garantir se ela não vai contaminar outras mesmo assintomática. Manter esses profissionais é perpetuar a doença”, explica o pesquisador.

E completa dizendo que no Brasil os hospitais trablham sempre com o contingente mínimo e que essa realidade deveria ser diferente. “Os serviços sempre trabalharam no limite de pessoas, é importante nunca trabalhar com equipe minima, ter uma reserva, na escala contando com essa adversidade”, ressalta Raphael.

Raphael finaliza a entrevista dizendo que espera que este ano seja melhor que 2021. E pede que as pessoas e autoridades olhem para os países mais pobres que estão mais vulneráveis a doença. “Eu tenho esperança que 2022 será melhor que 2021. É preciso pensar nesses países que não conseguem atingir uma cobertura vacinal adequada. temos países da África Central que sequer começou a vacinar isso é grave, é preciso intervenção da ONU e dos demais países”, conclui o pesquisador.

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