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Pacientes com leucemia no Distrito Federal correm risco de morte por falta de medicamento

Remédios essenciais para o tratamento do câncer no sangue, como o Mesilato de Imatinibe, estão em falta na farmácia de alto custo do Distrito Federal. Medicamentos custam entre R$ 9 ml e R$ 10 mil

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O medicamento Mesilato de Imatinibe que está em falta no DF

O aposentado do Poder Judiciário, Luís Geraldo do Nascimento, 65 anos, da Asa Sul, foi esses dias à farmácia de alto custo do Hospital de Base buscar o medicamento de uso contínuo, cedido pelo SUS, para o tratamento de leucemia que já o faz há seis anos. Mas, qual não foi sua surpresa ao ser informado pelo atendente que o Mesilato de Imatinibe está em falta e não tem previsão de reposição do estoque.

“A gente tinha conhecimento que esse medicamento estava em falta em outros estados brasileiros, como na Bahia e Mato Grosso, mas aqui no DF ainda não sabíamos dessa escassez. Desde que comecei o tratamento da leucemia, nunca tinha faltado o remédio e, como ele é de uso contínuo, não posso parar de usá-lo, pois, a interrupção poderá levar à morte”, disse Luís Geraldo.

Os medicamentos Mesilato de Imatinibe de 100mg e 400mg, princípios ativos que interrompem a produção de células anormais de alguns tipos de câncer, como a leucemia mieloide crônica, leucemia linfoblástica aguda, tumores estromais gastrintestinais estão em falta na rede pública de saúde do Distrito Federal.

Assim como o aposentado Luís Geraldo, outra família que sofre com a falta desses remédios é a da costureira e artesã, Maria Inês Taveira Miranda, de 62 anos, que trava uma luta contra a leucemia linfoblastica aguda desde novembro de 2020.

Desde agosto deste ano, ela precisa tomar Imatinibe 400mg e Imatinibe 100mg, mas quando seu filho, o coordenador de pré-vendas, Marco Taveira foi a farmácia de alto custo, este mês, pegar os medicamentos, recebeu a resposta que estava em falta, sem previsão de reposição do estoque.

Apelo às redes sociais

Para evitar que a mãe perca a luta contra esse grave tipo de leucemia, Marco começou a divulgar nas redes sociais que as drogas estão em falta na rede pública e que precisa de quase R$ 3.600 para comprar 30 cápsulas de Imatinibe 400mg e 60 Imatinibe 100mg. “Nós já conseguimos quase a metade do valor com ajudas, mas se ela parar de tomar os remédios, a doença poderá voltar com força e não será possível realizar um transplante de medula”, afirma o filho de dona Maria Inês.

Procurada, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que os medicamentos Imatinibe 400mg e Imatinibe 100mg são fornecidos pelo Ministério da Saúde e aguarda o envio por parte do órgão federal. O MS também não respondeu sobre os motivos que levaram a interrupção no fornecimento dos produtos.

O aposentado Luís Geraldo do Nascimento denuncia a falta de medicamento de alto custo do SUS

Bolsonato veta lei dos medicamentos

A grande preocupação dos pacientes, com a falta do remédio, é pelo alto custo. Os comprimidos, que funcionam como uma espécie de quimioterapia por via oral, podem chegar até R$ 10 mil conforme o tipo de tratamento.

“Se ao menos a gente pudesse acionar o plano de saúde, em caso de emergência na falta dos medicamentos, mas nem isso podemos, pois, o presidente Bolsonaro vetou o projeto de lei, aprovado no Congresso, que facilitava esse acesso”, diz Luís Geraldo.

O paciente se refere ao PL 6.330/2019, do senador Reguffe (Podemos-DF), projeto de lei que facilitaria o acesso a remédios orais contra o câncer e beneficiaria 50 mil pacientes que poderiam realizar o tratamento em casa, sem necessidade de internação hospitalar. Em julho deste ano, o presidente Jair Bolsonaro vetou integralmente a lei

O autor do projeto de lei reagiu ao veto presidencial. “Absurda e ilógica a decisão do veto. Absurda porque é um projeto que beneficia milhares de pacientes com câncer no Brasil inteiro. Ilógica porque a internação é mais cara do que o comprimido. Sem contar os custos com possíveis infecções posteriores decorrentes dela. Mas vamos derrubar o veto. Já há uma grande mobilização de oncologistas e de associações de pacientes da luta contra o câncer — disse Reguffe na época que ocorreu o veto

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